Conquista feminina
"Dizem que a mulher é sexo frágil, mas que mentira absurda..." Assim Erasmo Carlos inicia os versos de sua mais conhecida canção denominada "Mulher". Ele a compôs para sua amada, a quem devotou boa parte de sua agitada existência de músico nacionalmente famoso e por isso mesmo muito requisitado. Erasmo não é único a cantar o sexo feminino com pendores líricos.
Chico Buarque, outro grande poeta da Música Popular Brasileira, também externou sentimento de amor profundo pela mulher. Ele cantou: "Mulher, vou dizer quanto eu te amo/ Cantando a flor/ Que nós plantamos/ Que veio a tempo/ Nesse tempo que carece/ Dum carinho, duma prece/ Dum sorriso, dum encanto."
Hoje é Dia Internacional da Mulher. Em todo o mundo, homenagens são realizadas. Na França, Alemanha, Estados Unidos, Canadá; no Chile, Argentina, Brasil - em toda parte ela se faz presente com uma força sensível que por tamanha dualidade merece, de fato, a veneração do mundo. A mulher é mãe, filha, esposa, familiar, amiga e, hoje, mais do que em qualquer outra época, porque precisa redobrar seus esforços para juntar todas as atribuições que lhes foram delegadas, ao longo da história, com o profissionalismo adquirido há algumas décadas.
Homenagens que nem sempre foram reais. Durante muitos séculos estiveram apenas no campo do lirismo. Estiveram apenas no campo do sonho. Na Idade Média, a mulher era escrava do seu marido. Quando viajava, ele geralmente a deixava acorrentada em casa. Suas partes íntimas eram guardadas com ferros e cadeados. Alegava-se a fragilidade da carne. O cavaleiro medieval tinha receio de que sua "dama" conquistasse um amante durante a sua ausência.
Algumas delas eram enclausuradas em torres muito altas onde quase sempre morriam ao cabo de meses de espera e sofrimento. O tratamento dispensado à mulher mudou muito a partir do século XIX. Tudo começou em 8 de março de 1857, quando operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Elas ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar redução na carga diária de trabalho para dez horas, equiparação de salários com os homens e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.
As fábricas exigiam das mulheres 16 horas de trabalho diário. As mulheres chegavam a receber na maioria das vezes um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho. A manifestação foi reprimida com grande violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas numa das maiores selvagerias da história da humanidade.
O objetivo desta data não é apenas homenagear a memória daquelas mulheres. Não é apenas comemorar as conquistas obtidas ao longo do tempo. É também, e principalmente, para debater opapel da mulher na sociedade atual. É também para lutar por novas conquistas. Para combater o preconceito e a desvalorização da mulher - que ainda existem, infelizmente. Foram muitas as conquistas, mas as mulheres ainda enfrentam baixos salários, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional.
Muito ainda precisa ser conquistado.
Diário do Povo