A Neurociência é a área do conhecimento que estuda a realização física do processo de informação no sistema nervoso humano e animal. É um termo que reúne disciplinas que estudam o cérebro, especialmente a anatomia e a fisiologia, e os diversos fenômenos a ele relacionados, como: cognição, memória, pensamento, dor, visão, audição, fala, movimentos e outros. Essencialmente é uma área interdisciplinar, resultado da interação de diversos ramos do conhecimento.
Há muitas maneiras de se ver o cérebro. Para o educador, a aprendizagem reside no cérebro que armazena todas as experiências de vida do aprendiz; suas emoções; suas sensações; enfim tudo o que ele aprende.
Os estudos têm demonstrado que o ser humano, ao nascer, tem mais de 100 bilhões de neurônios, embora sem as informações e as aprendizagens ainda armazenadas ou memorizadas. Sem desconsiderar as pesquisas sobre aprendizagem no útero materno, é, ao crescer, vendo, ouvindo, sentindo a realidade que, no cérebro de cada ser humano, são formadas as redes neurais de conhecimentos. É o que se denomina de aprendizagem.
O segredo da conquista da aprendizagem é: viver e interagir; ler um assunto em diversas fontes; comparar opiniões; ler diversos assuntos; interessar-se por temas diversos; fazer exercícios de memorização (orais e escritos); aprender algo novo sempre, mesmo que seja simples; treinar uma nova abordagem de conhecimento; resumir ou esquematizar o que leu; relembrar os conhecimentos aprendidos e os procedimentos seguidos; arriscar a escrever, iniciando pelo desenvolvimento de textos simples e indo gradativamente enveredando por gêneros textuais diversos e de níveis de complexidade mais avançados; ouvir música e memorizar a letra; treinar cálculos.
A leitura é de fundamental importância para a aprendizagem. Ao ler, aprende-se algo novo, novas redes neurais são formadas, enriquece-se o modelo de mundo apreendido, ou seja, tem-se um maior estoque de informações a ser colocado para o mundo externo nas diversas formas de comunicação: oral, escrita, corporal e de outras manifestações artísticas.
Constata-se, portanto, que para aprender, o aprendiz precisa entrar em contato com o objeto da aprendizagem de diversas formas, utilizando-se dos sentidos como radares de apreensão do conhecimento; em seguida, transformar o que aprendeu em linguagem, que estrutura grande parte da memória. Percebe-se ser muito difícil estabelecer as fronteiras entre linguagem e memória. Deve-se sempre aprender algo novo, seguir caminhos diferentes, para inviabilizar a acomodação mnemônica. O cérebro gosta de surpresas!
O cérebro precisa ser exercitado para estar em forma e responder rapidamente quando for solicitado. Sem uso, ele pode ficar lento e demorar para dar a resposta apropriada. Dessa forma, aprende-se sempre; não importa a idade.
Não se pode esquecer de dizer da importância da alimentação, do sono e do exercício físico na aprendizagem. A alimentação apropriada mantém o cérebro vivo em atividades. O sono é fundamental e garante a armazenagem do conhecimento na memória de longa duração. O exercício físico alegra o aprender. É preciso ter prazer em aprender, em viver. O exercício físico possibilita ao ser humano a alegria de viver.
A Neurociência disponibiliza, atualmente, os fundamentos necessários à orientação de aprendizagem. Ela deve ser, hoje, a ciência imprescindível nos currículos de formação docente, para a Educação Básica, para o Ensino Superior – nos Cursos de Licenciaturas e de Pós-graduação – e nos Programas de Formação de Recursos Humanos para a Terceira Idade.
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* Licenciada em Letras. Mestra em Educação/Ensino. Membro da Sociedade Brasileira de Neurociência. Diretora do Colégio Notre Dame